sem nuvens sem nada
lua nua no céu
uma estrela a acompanhava

jishō
menina solta no mundo
pedal veloz
desafio de ir mais longe
alegria que não cabe na cidade
monareta

de repente medo
de repente muro
de repente grade
de repente só
de repente triste

dali não veria mais as ruas
nem a alegria do vento na cara
desde que as raízes imensas
a soterraram
o tapete vazio inerte nada fez

e ficou feia
e ficou comprida
e ficou toda dor
paredes, pinturas, reinvenção
de que num mundo
enclausurada
também cabe além
pela porta pintada e colorida
saia toda falta de cor
a vagar pelos sonhos de chão nos pés

as idas e vindas
avós e mimos
o não lugar era seu canto
no mundo
vagando por entre as farpas e correntes

buscava um coração
tão vagabundo quanto o seu
sem comando e perdido
aqui e ali apaixonado por si mesmo
pelo que sempre dispara de novo
estrada e recomeço

já meninas,
já menino
já amando
perder-se de si nos pequeninos
e errar de todas as maneiras
o que devia ser
e se lança

Kikuchi
Okayo
Dai jobu

dias e dias
noites e noites
sem oceano no meio
aos poucos um pouco de calma
um pouco de tempo
um pouco de chão

que dos rodopios
em nada aproveita
o amor não lhe faz companhia
quando entre as gentes

mas somente
lhe entrega paz, amor e sossego
se retirante, esquiva salta
por entre os louros e laços
que os dedos já não seguram mais


a mente se despede
a palavra silencia
a saudade acena ao futuro
e o coração dorme em paz

jishō
vida
quero te falar
cansei de lutar
então que seja
como é